Qual a razão do aumento de abates de fêmeas bovinas em fevereiro?

O assunto veio à tona no momento em que o balizador GPB – Grupo Pecuária Brasil apresentou os números de abates da primeira quinzena do mês

Os números mostrados pelo balizador GPB DataAgro têm a capacidade dinâmica de realizar levantamentos, dia a dia, de um importante setor da pecuária, com valores e porcentagens vindas diretamente dos produtores nas negociações com frigoríficos em principais praças pecuaristas. E, neste início de 2021, a constatação foi de que houve um significativo aumento no abate de fêmeas bovinas, assunto que deu margem a algumas análises por parte dos integrantes do universo do Agronegócio.

Vamos aos números! Na primeira quinzena de fevereiro de 2021 (mais precisamente até o dia 11/02), foram encaminhados ao balizardor GPB pelos pecuaristas 19.600 abates. E, enquanto em janeiro de 2021, do total informado de abates, 81,44% eram de machos, em fevereiro esse número caiu para 68,03%. As vacas, em janeiro, representaram 11,33%, e as novilhas 7,23%. Já em fevereiro, o abate de fêmeas subiu: o abate de vacas passou para 17,22%, e o de novilhas para 14,75%.

Diante de tal constatação, os coordenadores do balizador, Beto Zillo e Vitório Amoroso Neto, fizeram uma rápida enquete junto aos grupos ligados ao GPB, para que dessem suas opiniões a respeito das razões para esse forte aumento no abate de fêmeas. De acordo com o Canal do Boi, para onde foram enviadas as opiniões emitidas pelos grupos coligados ao GPB, expressas por produtores do Mato Grosso, Goiás, Acre, Rondônia, Bahia e Mato Grosso do Sul, as principais razões seriam:
- Abate antecipado, onde a estação de monta terminou e as vacas ficaram vazias.
- Oportunidade de fazer caixa. Ano ruim de chuva e o preço das dietas apressam o abate
-Estação de monta começa em fevereiro e é cedo para fazer o descarte. A vaca não pasta mais de graça nas fazendas
- Falta de pasto junto com final da estação de monta
- início de virada de ciclo
- Retenção de machos à espera de melhores preços
- Falta de pasto que virou insumo para profissional
- Muitas propriedades estão saindo do gado, da pecuária, e partindo para o plantio da soja. E assim descartam as fêmeas.
- Retenção de fêmeas, pensando no valor futuro dos bezerros. O produtor está desanimado com os altos custos de cria.

O analista de agronegócios, João Pedro Cuthi Dias, deu também a sua opinião durante o programa Mais Pecuária, do Canal do Boi, comentando que se trata de dados bastante interessantes para se analisar, já que o balizador GPB representa o universo do que há no Brasil junto aos pecuaristas.

Segundo ele, hoje há uma tendência de o criador diminuir a estação de monta, retirando rapidamente os machos e verificando se as vacas estão cheias ou não. "Isso porque ele não vai esperar mais um ano para a vaca enxertar e parir no ano seguinte. Então, uma opção é o descarte dessa fêmea". E Cuthi Dias continuou: "Nós estamos iniciando o período da safra de boi. Começou a chover em dezembro e estamos com 60, 90 dias de pasto. O gado está liso, daqui pra frente ele vai para engorda, até, se for o caso, com uma suplementação. O preço da vaca está bom, o da novilha está melhor ainda, até rivalizando com o preço do boi. Há muito pouca oferta de boi, porque grande parte ou foi terminada em confinamento ou se aproveitou os bons preços que tiveram para o boi até agora. Então a vaca passa a ser a alternativa. Hoje também há uma procura, trazer a novilha mais cedo para fazer caixa. E nesse momento, o produtor não tem bezerro para vender, pois estão muito novos ainda – será daqui a 60, 70 dias. Assim, a vaca vazia passa a ser uma excelente alternativa".

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